💡A arte de ser .
A arte de ser, não de representar.
Observo o cenário das redes sociais hoje e vejo uma verdadeira decadência da imagem. O Instagram que conhecíamos, que prezava pelo olhar, pelo registro do cotidiano e pela autenticidade, foi substituído por uma vitrine de ilusões. Não sou contra a estética, mas o exagero performático que distorce a realidade em nome de uma fantasia me preocupa.
Ao olhar para esta foto que fiz, vejo exatamente o que penso estampado em cada detalhe:
🌵 O Cacto: Representa o exterior resistente e espinhoso. Muitas vezes, nas redes, a pessoa constrói essa "casca" para esconder quem ela realmente é. Os espinhos são a proteção, a distância, a personalidade que se oculta para manter o público longe do que está no fundo.
💡 A Lanterna: É a luz da verdade. Mesmo que, por vezes, pareça oculta pela ilusão do entorno (o desfoque), a luz está lá. É a honestidade que não se apaga, a pequena centelha de integridade que persiste mesmo quando tentam obscurecê-la com filtros e encenações.
🌿 A Cerca e as Folhas: O cotidiano. A vida real acontece aqui, nesse crescimento natural, sem roteiro, sem direção, sem ensaios. É o que sustenta a essência e que, infelizmente, tem sido desprezado em nome de uma estética vazia.
Há uma diferença abismal entre a simpatia fabricada para a tela e a autenticidade de caráter. O produto vendido nas redes pode ser sedutor, mas, quando confrontado com a realidade, percebe-se que é uma embalagem enganosa — uma performance de bondade que desaparece assim que a câmera é desligada. A imagem de "pessoa perfeita" não sobrevive ao convívio diário, porque a essência, quando não é real, acaba revelando a fraude através das atitudes.Minha experiência com fotografia me ensinou que o valor não está na produção, mas na essência. O melhor registro é o flagrante, o momento não planejado, a vida como ela é. Prefiro manter a minha simplicidade e a minha transparência, pois entendo que a vida real, com suas imperfeições, é muito mais rica do que qualquer fantasia vendida em um post.
Como costumo dizer: nem tudo que se vê é real, e nem tudo que é real é o que se vê. O real, no fundo, ninguém mostra; as pessoas preferem vender uma versão que não é, e que nunca será, o cotidiano verdadeiro.
Como nos recorda a Escritura em 1 Samuel 16:7: "O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração."
Não busco aplausos para uma performance que não existe. Aos que ainda enxergam valor no que é real, o convite é este: vamos valorizar o que tem valor, e não o que foi apenas bem produzido para ser vendido. A verdade é um horizonte que não precisa de filtro.
Herr W. Santos
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